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Centro esportivo em São Bernardo disponibiliza aulas de basquete para cadeirantes

  • 27 de nov. de 2016
  • 3 min de leitura

O Creeba, localizado no bairro Assunção, é o único entre os 17 centros esportivos e recreativos da cidade que possui treinos de esportes para deficientes

São Bernardo do Campo conta com 17 centros esportivos e recreativos que oferecem programas públicos da prefeitura, como o Movimenteação e o Esporte e Cidadania. Esses programas promovem atividades esportivas e de dança para crianças, jovens, adultos e idosos. Todos visam estimular o convívio social, unindo as diferenças, e aprimorar o movimento e a saúde corporal. Porém, dentre os centros da cidade, o único que possui aulas específicas para deficientes e uma estrutura especial é o Centro Recreativo Esportivo Especial Luiz Bonício (Creeba), localizado no bairro Assunção.

O Creeba conta com uma piscina de um metro e meio de profundidade, 20 metros de comprimento e 12 de largura, na qual acontecem aulas de hidroginástica para pessoas com vários tipos de deficiência, inclusive bebês; e uma quadra onde são realizados treinos de basquetebol e voleibol para cadeirantes e de futebol para deficientes visuais. “São entidades sem fins lucrativos que solicitam o espaço, e a gente cede o espaço para eles poderem treinar e incentivar as crianças que querem aprender” afirmou Carlos Roberto de Lima, administrador do centro esportivo, sobre os treinos de basquete e futebol. “Não é um programa praticamente nosso, a gente só cede o espaço”. Já a piscina é 100 por cento da prefeitura e de uso dos frequentadores do próprio centro.

A ONG que aluga a quadra para jogos de basquete é a Adesp, uma associação desportiva para pessoas com deficiência física, também de São Bernardo. A Adesp conta com o apoio da Secretaria de Esportes da Prefeitura de São Bernardo do Campo e busca ajuda financeira para bancar os custos das bolas de basquete e cadeiras de rodas dos cadeirantes.

Segundo José Sacerdote da Silva, organizador da Adesp, o Creeba é o único lugar onde é possível levar os cadeirantes para praticar esportes. A quadra possui um piso apropriado para a locomoção das cadeiras de rodas e as cestas para a bola são colocadas em uma altura propícia para os esportistas. José Sacerdote também disse que a turma é de 18 pessoas e que cada aluno possui uma cadeira de rodas exclusiva feita para si mesmo. “Cada um tem a cadeira na sua medida, de acordo com a sua deficiência e grau de dificuldade”. Juntos, os integrantes do time competem no Campeonato Brasileiro e no Campeonato Paulista de Basquete. O administrador Carlos Lima afirmou que a procura de deficientes pelos treinos é muito grande, portanto, geralmente há listas de espera, e os treinos de basquete, em específico, ocorrem de segunda, quarta e sexta-feira, das seis horas da tarde às nove horas da noite.

A dificuldade em encontrar algum local para a prática de esportes específica para deficientes pode ser percebida entre as histórias de vida dos próprios portadores de necessidades especiais. Walter da Silva Guimarães, de 60 anos, frequentou o Creeba por mais de dez anos para jogar basquetebol. Ele disse que tinha muita vontade de treinar, e este centro sempre foi o único que dava a ele essa oportunidade. Começou com 48 anos, e hoje Walter não pratica mais este esporte.

Atualmente, está fazendo aulas de taekwondo em uma academia no Riacho Grande, mas as aulas são realizadas junto a pessoas sem deficiência. “Só tem eu de cadeirante lá. Aqui é o único lugar que treina deficientes”, afirmou. “Estou procurando algum cadeirante que queira lutar taekwondo comigo, porque, querendo ou não, lá na academia todos usam as pernas para treinar”. Walter Guimarães também classificou seus companheiros de treino como pessoas normais por não possuírem nenhum tipo de deficiência.

A inclusão de pessoas portadoras de alguma deficiência em atividades presentes no cotidiano é uma pauta essencial na discussão de direitos humanos. De acordo com a lei nº 13.146 de 06 de julho de 2015, “a pessoa com deficiência tem direito à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas [...]”. Porém, ainda assim ocorre a marginalização e a indiferença das instituições públicas e privadas, em geral, para com este assunto.


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